Devaneios da Diane

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Meu nome é Diane de Jesus Barros, tenho 30 anos, nascida e criada na vila Pedreira de Porto Alegre, Coordenadora do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo e Educadora Social.

Filha de Maria Georgina de Jesus, gaucha, dona de casa e mãe de três filhos, e como pai Lídio Fersula Barros, ferreiro, pelotense osso duro de roer… Lembro-me de ver meu pai poucas vezes em casa, pois sua profissão e a firma a qual trabalhava exigia que ele viajasse muito, e assim vindo poucas  vezes só para dar o dinheiro do sustento da sua família.

Ainda me são forte as palavras  que ele dizia nos meus tempos de escola: a única herança que o pai pode te dar é os estudos, sempre tive suas palavras muito forte em mim e trago elas comigo até hoje. Talvez por ser a filha mais velha não sei, mas sempre quis ser o seu orgulho. Não tenho nenhuma formação acadêmica, para meu pai poder pendurar ou guardar o canudo da filha formada, mas de uma coisa eu sei… Todos os cursos que fiz enquanto estava estudando, desde curso de datilografia até higienização, meu papito tem guardado todos os certificados  na sua  maleta em baixo da cama. Sempre quis e quero fazer um curso superior, mas ainda não consegui entrar na faculdade, com tantos altos e baixos nessa minha vida não sei se o tão sonhado diploma chegará a tempo de ser colocado na malinha… Pois há três anos descobrimos que meu pai está com câncer, sempre fui muito apegada a ele e somos muito parecidos em tudo, ou em quase tudo, falamos alto, somos turrões e cabeça dura, entre outras coisas que não convém aqui compartilhar.

E é aqui que começa o meu Devaneio. Há um ano e meio faço parte do Núcleo de Teatro de Animação e do Grupo Fuzuê que se constituiu no Quilombo do Sopapo, após a chegada de Leandro Alves da Silva, nordestino, que veio para Porto Alegre fazer uma residência artística. Comecei ajudando o com as oficinas, logo depois fui convidada por ele a encenar uma peça de teatro de bonecos mamulengos, foi ai que me descobri artista bonequeira! Então surge a ideia de construirmos um espetáculo colaborativo, em que cada um deveria escrever a sua cena.

Fiquei muito tempo pensando sobre o que seria o meu Devaneio, sobre qual parte de mim eu gostaria de compartilhar, ou o que compartilhar… Pensei… Pensei e não me surgia nada para começar a escrever a minha cena, até que um dia, sozinha em casa só eu e Deus, consegui olhar pra dentro de mim e me fazer alguns questionamentos, por muitas vezes ouvi das pessoas que eu era muito turrona, que tinha coração de pedra que eu era muito forte, que quase nunca demonstrava meus sentimentos, bah! por que fui fazer isso, rsrsrs, me vi num dos momentos mais frágeis que foi o de me encontrar comigo mesma e perceber que aquela Diane forte que todos viam, na verdade era só uma casca. Casca essa que criei ao longo da minha vida. Lá dentro bem fundo encontrei o medo, que gera uma resposta de alerta no organismo, preparando o indivíduo para lutar ou fugir.

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